Nesta semana, pensei nesse assunto:
Quanto, daquilo que fazemos ou dizemos é fruto de nossa própria Originalidade?
Quanto, de tudo o que escolhemos, as decisões que tomamos, não passa de uma repetição de algo que vimos ou lemos em algum lugar?
Explicando: você já parou para pensar em quantas ações que você já realizou foram motivadas por alguma coisa realmente original, de sua autoria?
Imagine isso:
O rapaz vai "prá balada", encontra uma "mina" e "chega junto", chama ela para conversar e diz uma ou duas frases, pra "ver se cola"...
Além das expressões entre aspas (que ele poderá utilizar, ou não, dependendo do seu grau de escolaridade e entendimento da língua portuguesa), muito provavelmente, as tais uma ou duas frases que ele usará para "ganhar a garota", serão frases que ele ouviu de alguém, em algum filme, ou na vida real, que te agradou o suficiente para ficarem gravadas na sua memória (ou saiu das páginas de algum livro que ele leu).
Não posso dizer que isso seja ruim. A História da Humanidade mostra que aprendemos através do exemplo e experiência daqueles que já viveram antes de nós, certo?
Quando crianças, a primeira fonte de aprendizado que temos são nossos Pais, se não somos o primogênito, então podemos nos espelhar no irmão mais velho, por exemplo (o coitado já sofreu bastante, porque não ver como ele está fazendo e sofrer menos, hein?).
Antes de inventarmos a linguagem, era assim que o conhecimento era transferido.
Depois, quando começamos a desenhar nas paredes de nossas cavernas (era coisa de adulto, hein?), o conhecimento passou a ser registrado em outro local mais confiável (?) e duradouro que a Memória Humana. O grande problema era a "Mobilidade do Conhecimento" e acredito que foi por isso que apareceu um cara mais esperto e inventou o papel (ou a escrita em couro de boi, não me lembro a ordem certa, agora).
Mesmo assim, o acesso ao conhecimento ainda era difícil e praticamente restrito, principalmente porque algumas pessoas (desde sempre!) perceberam que o conhecimento era uma arma poderosíssima! A Igreja Católica manteve a Europa numa fase de extrema Ignorância durante séculos! Mas essa prerrogativa de "manter o povo na ignorância" não é direito só da Igreja Católica, ok?
Quando Gutenberg apareceu com a prensa de tipos móveis e surgiu uma forma mais eficiente de copiar os documentos que não fosse a manuscrita, foi o Começo do Fim do Emprego dos Escribras e também foi o Início da Democracia do Conhecimento. Livros! Livros! Livros! Livros!
Documentos e Livros, que antes eram trabalhosamente copiados à mão, na razão de poucas unidades, passaram a ser reproduzidos às Centenas, depois Milhares de cópias!
E com isso, com o conhecimento sendo distribuído de forma maciça, era uma questão de tempo (pouquíssimo, do ponto de vista da Evolução da Humanidade) até vermos as pessoas reproduzindo as frases e feitos (agora, bem difundidos), uns dos outros, como se fosse suas mesmos!
É claro que temos as aspas, para avisar que aquela frase não é nossa, mas não dá prá percebe-las quando estamos falando, certo? E as vezes dizemos as coisas, digamos, não exatamente do mesmo jeito que havíamos lido, então acabamos por nos tornar o Dono da Frase...
Falando por mim, me considero um Grande Copiador. Quando criança, adquiri o hábito da leitura, como uma forma de lidar com a minha timidez (acreditem, eu era Muito Timido!). Lia livros, revistas, enciclopédias, histórias em quadrinhos, jornais, tudo que caia na minha mão. Isso me ajudou bastante, no processo de formação da minha personalidade. Depois vieram os filmes, com o mesmo resultado (alguém já disse que Filmes são as palavras transformadas em Imagens? Não? Tem Certeza? Então, essa frase fica sendo minha, até que alguém apareça...)
Graças a Deus, absorvi (e ainda absorvo) grande parte daquilo que li ou vi. Tenho certeza que essa característica não é só minha, está gravada no DNA de cada pessoa no Mundo. As mensagens deixadas pelos autores, através de seus personagens, ficaram gravadas na minha memória e, de vez em quando, alguma delas "escapa" e sai pela minha boca, como se fosse minha. "Quer conhecer alguém, de verdade, saber como ela pensa? Leia os Livros que ela Leu!"...
Lembro de uma vez, décadas atrás, solteiríssimo e ainda um pouco tímido, numa dessas "baladas de fim de semana", conversando com uma garota ligeiramente mais velha que eu (na época eu tinha menos de 20 anos ela beirava os 25), não me lembro do que falávamos na hora exata em que tasquei a frase "tomo duas doses e saio voando", não é que deu certo? Não teve nada de sexo, somente altos papos e alguns beijinhos, mas foi muito bom, prá época. Se alguém viu o Filme Batman (aquele primeiro, com o Michael Keaton), vai encontrar essa cena lá: Kim Basinger e Michael Keaton, numa das poucas cenas românticas do filme.
E o que dizer dos livros que li, todos eles? Tudo que aprendi, se não foi por ali, foi com meus professores e as outras pessoas que passaram pela minha vida. A todos vocês, minha eterna Gratidão!
Profissionalmente, posso afirmar, tudo que sei foi porque, estando diante de um problema, pesquisei, perguntei, achei alguma coisa, em algum livro, ou com alguém que sabia; aí, peguei essa informação, trabalhei, testei, criei alguma coisa para suprir uma necessidade daquele momento e, voilá, lá estava a minha criação! Original? não dá prá ter certeza, dá?
Agora, pare e pense:
Se você não gosta de ler e/ou não assiste a (bons) filmes, quais tem sido as suas Fontes de Referência, na construção da sua Personalidade, no suporte às Tomadas de Decisões para a sua vida?
Tome cuidado com os Exemplos que Você está Seguindo, pois os Resultados do que Você fizer serão de sua inteira Responsabilidade...
Viva em Paz, ok?
Tenho medo dos exemplos que a televisão passa... e das pessoas que os seguem.
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